Em meio ao câncer, veio o amor!


Em 2018, eu estava careca,

inchada por causa dos corticóides e quase sem sobrancelha, e eu achei que ter alguém para conversar seria bacana. O que eu fiz? Conversei com os amigos da quimioterapia? Não, senhores, eu fui além: Eu instalei um aplicativo chamado "Happn", que, basicamente, mostrava pessoas que cruzaram o seu caminho em algum momento do dia.



Era dia 06 de Março de 2018 quando conversamos pela primeira vez. E que conversa! De 22:00 às 02:00, assuntos que não terminavam. Uma identificação muito real, personalidades, valores e princípios muito similares. Queríamos as mesmas coisas. Simplesmente era pra ser!



No dia seguinte, ele me enviou mensagem assim que acordou. Lembro de como eu me senti especial. Sabe quando você volta a sentir um friozinho na barriga e, sem querer, sai um sorriso da sua boca? Foi mais ou menos assim!


No dia 08/03/2018 tivemos nosso primeiro encontro. Foi um desastre: ele me deu uma flor (em homenagem ao Dia da Mulher), eu não sabia o que fazer com ela e joguei no banco de trás do carro. Coloquei a perna atrás da cabeça para mostrar como eu era flexível (gente, quem faz isso em um primeiro encontro, hahahah), contei umas piadas ridículas, mas, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, ele me amou (!!!). No final do dia, ele disse que só sairia da minha vida por decisão minha.



Mas eu tive medo (lá vem, lá vem...): Como eu disse, eu estava careca, inchada e quase sem sobrancelha. Ademais, estava tratando um câncer, minha vida tinha (tem) várias restrições e limitações, e aí eu pensei "Por que enquanto todos os maridos estavam se divorciando das esposas enquanto elas faziam quimioterapia e mastectomia, o Lucas faz de tudo pra ficar comigo? Por que ele rema contra a maré? Por que não vai ficar com uma mulher saudável, Jesus!? Será que ele está fazendo alguma caridade, sei lá?".



Mas não era caridade rsrs. Era amor mesmo. Ele, diferentemente de todos, enxergava uma mulher, e não um câncer. Ele respeitava as minhas limitações e dava sempre um jeito de fazer as coisas que eu queria, adaptando para minhas necessidades. Ele nunca me tratou como uma pessoa doente, e isso fez toda a diferença, porque ha tempos eu não me sentia como uma mulher! Levei cerca de 4 meses para perceber que o amor dele era real e, depois que eu me permiti amar e ser amada, a magia aconteceu!



Viajamos, abrimos uma empresa, ele se tornou Bacharel em Direito e passou na OAB logo em seguida. Enfrentamos crises financeiras seríssimas e também conseguimos nos reerguer como um casal. Passamos (estamos passando) por uma Pandemia que não nos abalou em nada e só serviu para nos mostrar que amamos nossa companhia. Temos 5 cachorros (Bundão, Pérola, Bolota, Rubens e Batoré) e posso dizer que nossa vida é feliz!



O que eu quero dizer ao contar nossa história?!

Que o seu fardo é só seu. É você que precisa carregá-lo ao longo de todo o percurso, MAS...se você tiver uma companhia agradável caminhando junto com você, o fardo nem parece tão pesado assim.